domingo, 1 de dezembro de 2019

Biodiversidade dos fundos marinhos Açoreanos


Esta semana adotei uma abordagem diferente. Decidi falar sobre os fundos oceânicos mais precisamente da Dorsal Meso-atlântica onde se situa um Oásis chamado Açores. Sabiam que o Homem conhece melhor a superfície da lua do que os fundos oceânicos? É triste que nos dias de hoje, não se saiba exatamente como é o fundo do mar. Estima-se que o Homem só conheça 10% dos fundos oceânicos.
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Há 200 milhões de anos se formava a maior cordilheira submarina do mundo, nomeadamente a Dorsal Meso-atlântica.
Este fenómeno consagra-se devido a um movimento divergente entre placas tectônicas Norte-americana, a placa Euroasiática, a placa Sul-americana e a Africana no Atlântico Sul. Normalmente têm uma deslocação/afastamento a um ritmo de 2 a 10 cm por ano, daí o Oceano Atlântico estar a crescer, e a Europa estar a afastar-se da América.
Os Açores estão no meio de três placas tectónicas (Norte-americana, Euroasiática e Africana) tendo até mesmo uma Microplaca.
Vulgarmente, percentagem betónica diminui com a profundidade e com a distância aos continentes, tendo as profundidades abissais menos de 1% dos valores de biomassa das zonas costeiras. Este fato justifica-se também pela baixa produtividade da zona fótica em pleno oceano.
A presença das dorsais oceânicas podem providenciar habitat para as espécies batiais, que de outra forma não existiriam no meio do oceano. Estudos recentes sobre a dorsal atlântica provam que nestas vertentes abruptas o substrato rochoso é o habitat de uma grande diversidade de fauna betónica séssil, dominada por corais, esponjas e crinoides. Constata-se que a fauna da dorsal médio atlântica tem muitas espécies conhecidas das margens continentais. A Dra Sylvia Earle afirma mesmo que “um metro quadrado do fundo dos oceanos tem tantas formas de vida como as florestas tropicais”
Resultado de imagem para chaminés maritimas açoresToda esta fortuna em forma de vida deve-se principalmente às nascentes de água quentes/escapes hidrotermais/chaminés hidrotermais. Estes escapes são o resultado da atividade vulcânica do fundo dos oceanos. A água do oceano entra nas falhas da crosta, diluindo metais e minerais, que por sua vez são aquecidos pelo magma terrestre atingindo temperaturas de aproximadamente 400ºC. 

Esta água rica em minerais é projetada em forma de geyser relativamente contínuo, carregando minerais lixiviados das rochas, que quando de deparam com a água fria e densa do oceano profundo precipitam ao redor da chaminé.  

Resultado de imagem para chaminés hidrotermais biodiversidadeAo estudarem as chaminés hidrotermais, a comunidade científica foi surpreendida ao encontrar ao redor das emanações, uma vida abundante e adaptada às condições ambientais extremas ali expostas. Para além da ausência de luz, a pressão no fundo do mar é extrema.
 Os cientistas depararam-se com camarões, caranguejos, tubos de vermes, mexilhões, lesmas, anêmonas e várias espécies de peixes. Muitos estudiosos classificam essas áreas geológicas como verdadeiros oásis marinhos apresentando uma biomassa semelhante à de uma floresta tropical.

1 comentário:

  1. Gostei muito da abordagem que fez. Os oceanos são um mundo por explorar ao ponto de me surpreender constantemente o que é encontrado, além da beleza e biodiversidade, a diversidade geológica é imensa. Ao ler este texto, relembrei-me dos documentários que estão a passar na RTP1 aos sábados: "Mar, a última fronteira".
    Maria de Fátima Carvalheiro

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Biodiversidade em Espaço Urbano - Açores

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