O arquipélago dos Açores localiza-se perto da crista
meso-atlântica estando as ilhas dos grupos central e oriental situadas na
microplaca dos Açores e as do grupo ocidental na placa americana. As águas dos
Açores raramente descem abaixo dos 17ºC no Inverno e no Verão atingem em média
23-24ºC. É precisamente esta característica climatológica que permite que a
diversidade marinha dos Açores ofereça condições únicas, nesta região do
Atlântico, transformando-a, simultaneamente, num conjunto de características
marcadamente subtropicais.
O oceano profundo (tudo o que se situa abaixo dos
1.500m) sendo tão desconhecido, mas interagindo com zonas costeiras dos Açores
muito perto do litoral, permite, também, a formação de comunidades únicas e o
estudo de espécies misteriosas a maior parte das quais com ciclos de vida e aspetos
ecológicos totalmente desconhecidos. Nessa fronteira, de “mundos” diferentes, os
Açores constituem, tal como outros montes submarinos e ilhas oceânicas, um
local privilegiado para o estudo dessas interações e uma “janela” de
investigação inestimável.
Além das reservas da biosfera, o arquipélago dos
Açores possui áreas classificadas e reconhecidas internacionalmente por razões
ambientais e cientificas com o estatuto de Rede Natura 2000, Património Natural
da Humanidade, Áreas RAMSAR e Áreas Marinhas Protegidas ao abrigo da Convenção
OSPAR, e outras de âmbito nacional e internacional.

Juntamente com as Galápagos, Sri Lanka e Nova Zelândia,
os Açores apresentam uma grande variedade de espécies de cetáceos (ao todo 24
espécies), cuja frequência varia sazonalmente. Devido à ausência de plataforma
continental é possível ver espécies pelágicas, que em outras regiões não se
aproximam tanto da costa. Durante os meses de Verão, as ilhas são uma região
privilegiada para a sua observação e investigação científica.
Registaram-se 34 espécies de tubarões confirmadas
nos mares dos Açores. A diversidade entre estas espécies é extrema, variando
desde o pequeno Tubarão-anão até ao Tubarão-baleia. O tubarão-baleia (Rhincodon
typus) vive habitualmente em oceanos quentes e de clima tropical, é a maior das
espécies de tubarão e o maior peixe conhecido. Nos Açores, é também conhecido
como Pintado, em virtude do seu dorso estar repleto de pequenas manchas
esbranquiçadas.
De um modo geral, podemos dividir os tubarões dos
Açores em dois grandes grupos: espécies pelágicas e de profundidade.
É possível observar-se o grande-tubarão-branco
(Carcharodon carcharias), o tubarão-mako ou Rinquim (Isurus oxyrhinchus), o tubarão-tigre
(Galeocerdo cuvieri), o tubarão-touro (Carcharhinus leucas), o tubarão-de-pontas-brancas-oceânico
(Carcharhinus longimanus) e o tubarão-azul ou Tintureira (Prionace glauca).
Outro aspeto extremamente interessante, tem a ver
com a ocorrência, nos Açores, de espécies de várias proveniências: tropicais e
subtropicais (p.ex. vejas, barracudas); Mediterrânicas (p.ex. cavacos, badejos)
e de águas temperadas frias (p.ex. abróteas, bodiões-vermelhos). Este facto
levou a que muitos autores apelidassem os Açores como sendo a “encruzilhada do
Atlântico”, precisamente por, aqui, se encontrarem espécies de tão diversas
origens e que formam um conjunto marinho absolutamente único e harmonioso.

Ao contrário do que muitos possam imaginar, os
Açores possuem colónias importantes de corais, tanto Mediterrânicos como de
origem Macaronésia ou Norte-Africana, que, embora não formem recifes, colonizam
vastas áreas incluindo grutas mesmo a baixas profundidades. Também existem
alguns endemismos marinhos Macaronésios tais como o badejo das ilhas
(Mycteroperca fusca), o peixe-cão (Bodianus scrofa) e mesmo uma espécie apenas
ocorrente nos Açores, embora ainda sob verificação, o Bodeão-azul (Centrolabrus
coeruleus). O tubarão Scymnodalatias licha, do qual apenas se conhecem dois
exemplares em todo o Mundo, foi descrito em 1988 a partir de um exemplar
capturado nos Açores sendo conhecido, em inglês, pelo nome Azorean Dogfish.
Nas nossas águas é igualmente comum observarem-se
tartarugas marinhas, sobretudo a tartaruga-bôbo ou comum (Caretta caretta) que
vagueia pelos nossos mares durante um período de maturação e crescimento
dirigindo-se depois, ao aproximar-se a idade adulta, para oeste, mais
concretamente para as Caraíbas, Golfo do México e Florida. Menos comuns mas igualmente
ocorrentes nos Açores, podem encontrar-se outras tartarugas, nomeadamente a
maior de todas – a verdadeiramente gigantesca tartaruga-de-couro (Dermochelys
coriacea), bem como as conhecidas tartaruga-verde (Chelonia mydas), a tartaruga-de-pente
(Eretmochelys imbricata) e a rara Lepidochelys kempii, que não tem nome comum
entre nós.
A zona de entre-mares dos Açores é, também, especialmente
interessante sobretudo devido às colónias das apetecíveis cracas (Megabalanus
azorica, uma espécie endémica) e das apreciadas lapas (Patella ulyssiponensis).
Ambas colonizam áreas, principalmente a primeira, que, no Continente, estão
ocupadas por mexilhões e percebes sendo que os “bezanos” que aparecem fixos em
objectos flutuantes são de uma outra espécie, Lepas anatifera. Finalmente,
importa referir que, não havendo na Região plataforma continental, a
proximidade do Oceano profundo, o maior ecossistema do Planeta e o menos
conhecido – apenas cerca de 2 % foi estudado pelo que se sabe mais sobre a Lua
do que sobre esta vasta região – permite um intercâmbio diário, que designamos
de migrações verticais, de animais de superfície que se alimentam nas
profundidades e de animas dessas profundidades que, de noite, migram para se
alimentarem nas águas menos profundas e mais ricas em alimento.
Referências bibliográficas:
- https://repositorio.uac.pt/bitstream/10400.3/2423/1/PingodeLavaJPB_2013.pdf
- https://cibio.up.pt/people/details/macardoso/projects/198
- https://www.wilder.pt/historias/nos-acores-areas-marinhas-protegidas-vao-aumentar-mais-15/
- https://acores.fandom.com/wiki/Biodiversidade_nos_A%C3%A7ores